domingo, 3 de fevereiro de 2013

Condutor ou Cobrador?


"Eu te desejo não parar tão cedo, pois toda idade tem prazer e medo..."
(Frejat)



Semana passada assisti ao filme “O exótico Hotel Marigold”, que trata sobre a busca de uma nova vida por pessoas já aposentadas, viúvas, sozinhas. São pessoas que já viveram uma vida de obrigações, criação de filhos, casamentos, etc. Partem para a tentativa de uma, talvez a última, oportunidade de outra história mais livre, sem arremedos. 
É interessante ver um juiz aposentar-se e viajar, depois de 40 anos, para encontrar seu grande amor, um outro homem, que deixou, por não terem forças para brigar contra as determinações familiares, ou uma viúva, que opta por não ir morar com os filhos, mas sim, ficar só e trabalhar pela primeira vez na vida.
São pessoas que de uma forma digna e ética, aprofundam-se em seus desejos mais verdadeiros e conduzem suas vidas ao ponto mais próximo de suas realizações. É claro que nem sempre as coisas acontecem como aspiramos, mas e daí? Neste sentido, até os movimentos nos preenchem e satisfazem. 
Conheço pessoas, principalmente mulheres, que quando chegam nesse ponto, não vêem as oportunidades que lhes surgem. Continuam puxando para si obrigações com os netos, cobrando dos filhos, telefonemas, almoços, estilos de vida e por aí vai. Vivem repetindo: “fiz de tudo pela fulana e agora ela me agradece assim”; ou então “quantas vezes deixei de viajar e agora ele dá razão à aquela lambisgóia”!! São os cobradores de carteirinha, fazem da vida deles e dos outros um inferninho particular. Não assumem suas escolhas e querem que alguém se responsabilize por elas. 
Tenho pensado incessantemente nisso. A proximidade da revoada dos filhos, a aposentadoria, a idade, têm esquentado minha cabeça. Não tenho vocação para a segunda opção. Quero aquela aventura vivida simbolicamente pelos personagens do filme. Sinto-me no momento da preparação. Procurar reconhecer meus desejos mais recônditos e deleitar-me.
 Não é fácil. No decorrer da vida vamos carregando tanta coisa sem importância, e agora quero o essencial. Estou na batalha, sei que vou conseguir!!!

2 comentários:

  1. É claro que vai, amiga! De todas nós, eu aposto minhas fichas em você. Bjs, se joga!

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